26 de mar de 2013

Notícias do 1º Symposium on Sign Language Acquisition

Olá queridos

Estou de volta para trazer notícias do último evento que participei, o 1º Symposium on Sign Language Acquisition, que ocorreu na semana passada na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.
O evento reuniu muitos pesquisadores do tema de vários países, por isso foi uma ótima oportunidade de ver de perto muitos autores de textos que lemos (como Anne Baker, Diane Lilo-Martin, Gary Morgan, Marc Marschark, entre outros), além de saber mais de suas últimas pesquisas, o que andam fazendo, suas opiniões, enfim, foi um evento muito rico.
Foi uma alegria também poder encontrar pesquisadoras brasileiras que participaram do evento, e ver como as pesquisas brasileiras sobre línguas de sinais e educação de surdos são respeitadas internacionalmente.

Palestra de Diane Lillo-Martin, sobre aquisição de línguas de crianças filhas de pais surdos, em parceria com a  Dra. Ronice Quadros, da UFSC


Acima, estou na companhia das queridas Rossana Passos e Ediléa Bernardino, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
A presença dos surdos do curso Pro-LGP também foi maciça. Aproveito mais uma vez o carinho e a atenção de todos comigo, sempre pacientes para tentar me entender em Libras.

Na foto acima, parte da turma 2 do Pro-LGP: Eu, Paula, Luisa, Marcia, Antonio, Débora (intérprete estagiária) e Helena. Faltou a Julia, que só apareceu depois, e ainda a Isabel, surda intérprete de surdocegos e da Língua de Sinais Internacional, ambas abaixo:



Aproveito para parabenizar a toda a equipe de organizadores do evento, especialmente à Professora Ana Mineiro, e espero que muitos outros ocorram, congregando pesquisadores já consagrados com aqueles que estão começando, possibilitando que o conhecimento seja produzido e compartilhado.

Na foto, em azul (primeiro plano), Professora Ana Mineiro, organizadora do evento. À esquerda, sua equipe (Sônia, Tânia, Mara e Sara) e demais professores da UCP.

O caderno de abstracts/resumos dos trabalhos apresentados no SLA podem ser acessados AQUI.
Disponibilizo abaixo, a quem interessar, minha apresentação em prezi (em língua inglesa, que era a língua oficial do evento). Meu trabalho consistia na análise de uma atividade de leitura dirigida a surdos universitários, parte da minha tese de doutorado em andamento.


Abraços a todos!
Vanessa

13 de mar de 2013

Episódio do seriado "Switched at Birth" totalmente em língua de sinais

Oi pessoal!
Quem conhece o blog há algum tempo sabe que eu sou fã de um seriado americano chamado "Switched at Birth" (aqui eu apresentei a série), que está chegando ao final de sua segunda temporada. A série é produzida pelo canal americano ABC Family, e no Brasil é transmitida pelo canal a cabo Sony. A cada episódio os temos envolvendo questões de surdos se aprofundam, e mais atores surdos são incorporados ao elenco, principalmente agora que, ao invés de mostrarem as escolas das duas personagens principais (Bay, ouvinte, e Daphne, surda), as histórias se concentram na escola de surdos Carlton, para onde Bay e outros alunos ouvintes foram integrados.


Nas imagens acima, retiradas do episódio 09 do seriado "Switched at Bith", um cartaz gigante é colocado na fachada da escola, com a imagem de uma menina com uma mão no ouvido, e a outra erguida, em sinal de luta, com as palavras "Take back Carlton", que significa "Tomar Cartlon de volta". Na segunda imagem, os alunos surdos comemoram.

O episódio que foi ao ar na semana passada (temporada 2, episódio 9) foi um dos que mais me emocionou, e eu precisava muito compartilhar isso com vocês, e foi ao ar na data que marca os 25 anos dos protestos que marcaram a comunidade surda americana por um reitor surdo na Gallaudet University.  Carlton, a escola de surdos, está prestes a ser fechada pelo governo, e os alunos serão distribuídos em escolas inclusivas (algo que tem acontecido, de verdade, em muitos lugares, inclusive no Brasil). Os alunos, então, resolvem protestar contra o fim da escola, fazendo uma alusão direta (e inclusive, mencionada), na luta dos estudantes de Gallaudet (universidade americana de surdos) no final dos anos 80 (neste post você encontra mais informações e referências sobre este importante episódio da história da educação dos surdos). 
Normalmente, as cenas deste seriado contam com a verbalização, em língua inglesa, mesmo quando a cena é sinalizada, em língua de sinais americana, ou seja, o ator sinaliza, mas também fala, como recurso para auxiliar os telespectadores da série. Essa mesma estratégia é utilizada em filmes que usam a língua de sinais, como "Os Filhos do Silêncio", por exemplo. Pois bem, no episódio da semana, que afirma que os ouvintes só entenderão realmente os surdos quando estiverem em seu lugar, apenas a primeira cena e a última fala do episódio são verbalizadas. Os sons são retirados do episódio, sem fala, sem nenhum barulho, apenas uma pequena trilha sonora aparece, às vezes. Simbolicamente, Daphne, a personagem surda, tira seu aparelho auditivo no início do episódio, e sentimos, um pouco, do que ela sente. Em todas as cenas posteriores, todos os personagens sinalizam (para os telespectadores entenderem, usam as legendas). Desta forma, como é proposto pelos produtores, os lugares se invertem: são os ouvintes, e não os surdos, que se sentem perdidos, e precisam das legendas para compreenderem as cenas.

O anúncio do episódio totalmente em ASL (American Sign Language) foi tão intenso, que a própria Gallaudet University fez um comercial para ser transmitido no intervalo do episódio, relembrando os protestos de 1988 (que completaram, na semana passada, 25 anos). Vejam o comercial abaixo:


Tenho recomendado esta série para profissionais, professores e pesquisadores da área da educação de surdos, e todos os que querem entender um pouco mais esta cultura. Em alguns cursos, já utilizei pequenos trechos de algum episódio para fomentar discussões, e a resposta tem sido bastante positiva.
Espero que todos tenham a oportunidade de ver esse episódio, e quem puder, publique sua opinião aqui nos comentários, ok?

Abraços a todos!
Vanessa

11 de mar de 2013

Conhecendo o curso Pro-LGP

Olá queridos, como estão?

Não estou tendo muito tempo para fazer postagens mais completas aqui no blog, mas procuro atualizar sempre que possível a página do facebook, com links, eventos, e algumas sugestões mais rápidas, por isso convido vocês a conhecerem, em https://www.facebook.com/vendovozes.

Hoje quero aproveitar para falar um pouco sobre o curso, aqui de Portugal, onde vim pesquisar, o Pro-LGP, da Universidade Católica PortuguesaO curso é uma licenciatura em Língua Gestual Portuguesa (LGP), semipresencial, ou seja, funciona através de educação a distância e encontros presenciais, cujo objetivo é formar profissionais no ensino de LGP e, por isso, é voltado para surdos que se comunicam através desta língua. As unidades curriculares são apresentadas nos encontros presenciais, pelo professor responsável, com o suporte de intérpretes de LGP, que também são tutores. Durante a semana, os alunos aprofundam seus conhecimentos através de estudos e atividades que constam nos materiais (livros da disciplina e plataforma virtual), discutem e tiram as dúvidas com os tutores através desta plataforma, com uma carga horária de atividades de aproximadamente 20 horas por semana.

Prédio do campus da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa

A princípio, o curso me parecia ser muito parecido com o Letras-Libras, que temos no Brasil, mas são cursos bem diferentes. O Pro-LGP tem somente alunos surdos, o que cria uma atmosfera diferente, já que os conteúdos são ensinados totalmente em língua de sinais. Além disso, ele forma apenas para ensinar, proporcionando uma carga horária maior de disciplinas que estudam aquisição de linguagem, ensino de línguas e didática.

Layout do site do curso Pro-LGP, disponível em http://www.pro-lgp.com/home/home.html

O curso Pro-LGP é organizado através de três grandes áreas de estudos, em um total de 27 disciplinas, chamadas de “planos de estudos”, enumeradas abaixo. As áreas são Ciências da linguagem (de 1 a 12), Neurociências (13 a 19) e Ciências da educação (20 a 27), que procuram formar um profissional com conhecimento linguístico não apenas cultural, mas também biológico e capacitado para o ensino da língua de sinais.

  1. Português como L2 I, II e III
  2. Literatura das Línguas Gestuais
  3. Introdução aos Estudos Linguísticos
  4. Linguística I (Fonética e Fonologia)
  5. Linguística II (Morfologia)
  6. Linguística III (Sintaxe)
  7. Linguística IV (Semântica)
  8. Linguística V (Sociolinguística e Pragmática)
  9. Investigação em Linguística das Línguas Gestuais
  10. Lexicologia e Lexicografia nas Línguas Gestuais
  11. Escrita das Línguas Gestuais I
  12. Escrita das Línguas Gestuais II.
  1. Introdução à Surdez
  2. Introdução às Neurociências
  3. Bases Biológicas da Linguagem e Aquisição da Linguagem
  4. Neurociências e CogniçãoIntrodução à Surdez
  5. Introdução às Neurociências
  6. Bases Biológicas da Linguagem e Aquisição da Linguagem
  7. Neurociências e Cognição
  1. História da Educação de Surdos I
  2. História da Educação de Surdos II
  3. Estudos Surdos I
  4. Estudos Surdos II
  5. Ensino a Distância para Surdos
  6. Introdução às Ciências da Educação
  7. Métodos de Ensino e de Aprendizagem
  8. Ensino e Aprendizagem da LGP como L2

Os planos de estudos listados acima são ministrados através dos encontros presenciais, do ambiente virtual e das publicações impressas do curso. Cada publicação, em língua portuguesa, acompanha um DVD com o mesmo conteúdo traduzido para a LGP. São, no total, 22 volumes, com os seguintes títulos:
  1. Ensino a Distância em e-Learning: conceitos e práticas
  2. História da Educação de Surdos I
  3. Introdução aos Estudos Linguísticos
  4. Introdução à Fonética e Fonologia na LGP e na Língua Portuguesa
  5. Introdução à Neurociências
  6. Português como Língua Segunda para Surdos I
  7. Introdução à Surdez
  8. Bases biológicas e Aquisição de Linguagem
  9. Introdução às Ciências da Educação – Temas e problemas da educação inclusiva
  10. História da Educação de Surdos II
  11. Literatura das Línguas Gestuais
  12. Estudos Surdos I – Obras de referência
  13. Português como Língua Segunda para Surdos II
  14. Escrita das Línguas Gestuais
  15. Um olhar sobre a morfologia dos Gestos
  16. Questões sobre Ensino e Aprendizagem
  17. Sintaxe das Línguas Gestuais
  18. Introdução à Semântica Cognitiva
  19. Pragmática e Sociolinguística
  20. Neurociências e cognição
  21. Os Dicionários e os Avatares Gestuais
  22. Estudos Surdos II
Outra coisa legal é que os livros produzidos pelo curso são vendidos comercialmente, ou seja, qualquer pessoa pode adquiri-los nas livrarias de Portugal, o que amplia e muito a possibilidade de outros grupos se qualificarem e produzirem discussões e pesquisas nestas áreas. É possível encontrar a coleção completa, com os respectivos autores, índices e maiores informações no site da editora da universidade, aqui, que comercializa a coleção (os preços estão em euros). Algumas pesquisadoras brasileiras contribuem com as obras, como Ronice Müller de Quadros, Sandra Patrícia de Faria do Nascimento e Marianne Stumpf.

Exemplos de alguns livros da coleção Pro-LGP.

Devido a demanda de um vocabulário em Língua Gestual Portuguesa para os termos referentes às ciências da linguagem, o curso conta com um projeto para a criação, sistematização de divulgação desses sinais. É possível consultar um dicionário terminológico no próprio site do curso, no link http://pro-lgp.com/dicionario/index.html.
Para saber mais, visite o site do curso AQUI.

Pelo pouco que pude acompanhar, o curso me parece muito interessante, com uma equipe bastante empenhada e produzindo pesquisas inéditas e relevantes. Aproveito para agradecer o apoio e a gentileza com que a equipe formadora e os alunos têm me recebido. Obrigada!