11 de jul de 2010

Indicações de leituras: Oliver Sacks

Olá Pessoal
Por ter postado outro dia sobre o livro Vendo Vozes de Oliver Sacks, quero aproveitar para indicar outros livros do mesmo autor (confesso que li apenas alguns, mas pretendo adquirir e ler cada um deles, quando eu tiver mais tempo!)

COM UMA PERNA SÓ





Durante uma escalada solitária na Noruega, em 1974, o jovem neurologista Oliver Sacks depara-se com um enorme touro branco. Em pânico, dá meia volta, dispara pelo caminho inverso e um tombo faz com que sua perna esquerda fique seriamente avariada. Depois de uma cirurgia, a sensação é de que a perna se tornara "inexistente". 
O médico se transforma em paciente e é obrigado a aprender lições de passividade num leito de hospital. Sem poder andar, apartado da vida normal e isolado pela insensibilidade de colegas médicos, Sacks inicia um processo de autodiagnóstico.
Decide então elaborar um relato provocativo sobre os padrões de atendimento do sistema de saúde, mas também um testemunho vivo e fluente sobre os mecanismos neuro-sensoriais responsáveis pela formação da "imagem corporal" - graças à qual sentimos que os membros fazem parte do corpo, formando um todo integrado.
Para o leitor é a oportunidade de conviver com a intimidade de um homem de cultura, inteligência e sensibilidade únicas durante um dos momentos mais críticos - e férteis - de sua vida pessoal e profissional.

ALUCINAÇÕES MUSICAIS - Relatos sobre a música e o cérebro

A música é uma das experiências humanas mais assombrosas e inesquecíveis, e este livro do neurologista e escritor Oliver Sacks nos faz entender por quê. A exemplo de seus livros anteriores, entre os quais se destacam Tempo de despertar e O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, Sacks nos oferece aqui histórias musicais cheias de drama e compaixão humana envolvendo pessoas comuns ou portadoras de distúrbios neuroperceptivos.
O que se passa com o cérebro humano ao fazer ou ouvir música? Onde exatamente reside o enorme poder, muitas vezes indomável, que a música exerce sobre nós? Essas são algumas das questões que Oliver Sacks explora, em seu estilo cativante, nesta admirável coletânea de casos, mostrando, por exemplo, como a música pode nos induzir a estados emocionais que de outra maneira seriam ignorados por nossa mente ou ainda evocar memórias supostamente perdidas nos meandros do cérebro.
É impossível não se impressionar com a história do médico que experimenta, depois de atingido por um raio, uma irresistível compulsão por música de piano, a ponto de se tornar ele mesmo um pianista. Ou com os casos de "amusia", uma condição clínica que faz Mozart soar como uma trombada automobilística aos ouvidos da pessoa afetada. Sem contar as histórias de gente afetada dia e noite por alucinações musicais incessantes.
O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença de Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, junto com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual tanto das afecções quanto de seu tratamento.

"As histórias de Oliver Sacks são tão irresistíveis que servem como extraordinárias metáforas não só do estado atual da medicina como também da condição do homem moderno." - New York Magazine

A ILHA DOS DALTÔNICOS - E a ilha das cicadáceas



Em A ilha dos daltônicos, o cientista e neurologista Oliver Sacks comprova que é um homem que se apaixona, que possui uma inteligência intensamente refinada pelo trabalho e que é um excelente narrador. As narrativas deste livro nascem nos arquipélagos do Pacífico. De lá vêm reflexões sobre a natureza do tempo geológico profundo, a disseminação das espécies, a gênese das doenças. Vêm também histórias sobre as cicadáceas, teimosas plantas do período paleozóico, histórias de ilhéus que não conhecem o azul ou o verde do mar à sua volta, porque nascidos com uma incapacidade absoluta de ver as cores, histórias de uma paralisia neurodegenerativa que vitima apenas os membros de certo grupo social, os chamorros, nas ilhas Marianas.


ENXAQUECA


Para a maioria de nós, a enxaqueca é apenas uma forte dor de cabeça que acomete periodicamente certas pessoas. Para Oliver Sacks, ela é muito mais do que isso. É, antes de mais nada, um conjunto extremamente complexo e diversificado de síndromes nas quais a dor de cabeça nem sempre está presente. Além disso, a enxaqueca pode nos fornecer pistas sobre algumas das questões mais fundamentais do ser humano.
Primeiro livro de Sacks, Enxaqueca já contém todos os elementos que fizeram o sucesso de suas obras posteriores: conhecimento científico posto a serviço de um estilo único de narração capaz de transformar relatos clínicos em episódios de um maravilhoso romance de suspense.

O HOMEM QUE CONFUNDIU SUA MULHER COM UM CHAPÉU - E outras histórias clínicas


O cientista e neurologista Oliver Sacks é também um excelente narrador, dono do raro poder de compartilhar com o leitor leigo certos mundos que de outro modo permaneceriam desconhecidos ou restritos aos especialistas. 
Em O homem que confundiu sua mulher com um chapéu estamos diante de pacientes que, imersos num mundo de sonhos e deficiências cerebrais, preservam sua imaginação e constroem uma identidade moral própria. Aqui, relatos clínicos são intencionalmente transformados em artefatos literários, mostrando que somente a forma narrativa restitui à abstração da doença uma feição humana, desvelando novas realidades para a investigação científica e problematizando os limites entre o físico e o psíquico.
TEMPO DE DESPERTAR
Usando uma nova droga, o neurologista Oliver Sacks conseguiu, entre 1969 e 1972, despertar vários pacientes de encefalite letárgica do estado em que viviam desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu um surto da chamada "doença do sono". 

Tempo de despertar traz um minucioso relato das vivências desses pós-encefálicos - os labirintos interiores em que viviam, o mundo onírico a que estavam presos, a aflição que sentiam nos raros momentos de vigília -, formando um conjunto único de pequenos dramas. A destreza narrativa do autor já foi comparada com a que transparece nos casos clínicos contados por Freud (celebrizados por sua qualidade literária).